O Projeto

Descrição Geral


O Projeto intitulado Estudos Linguísticos e Históricos do Sertão (ELiHS), sediado na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus XVI – Irecê/BA, foi idealizado e executado no âmbito da tese de doutoramento da professora Dayane Lemos, que atualmente assume a função de coordenadora. O ELiHS atende a uma importante vertente de pesquisa para a recuperação da história do português popular brasileiro no Sertão Baiano, buscando um estudo de suas variantes, através da constituição de um banco de dados orais representativo do vernáculo popular falado em comunidades rurais afro-brasileiras, situadas no Território de Irecê, colaborando para a interiorização da descrição linguística.

Através deste espaço digital buscaremos dar visibilidade às comunidades rurais afro-brasileiras que estão “para além do litoral” e quase sempre estão à margem das pesquisas científicas, mas que existem e resistem no Território brasileiro, em especial o de Irecê, que agrega oficialmente 152 comunidades, intituladas, pela Fundação Cultural Palmares, como Remanescentes de Quilombos. No tocante a essas comunidades é facilmente notável que o inexistir de informações assola nosso atual cenário territorial, pouco ou nada temos oficialmente registrado, o que torna urgente a tentativa de recuperação e resgate dos fragmentos de informações que possam permitir a compreensão do que está acontecendo no processo de distribuição dos remanescentes de antigos quilombos do Brasil (ANJOS, 1999), o que diretamente reverbera no conhecimento sobre os aspectos sócio-históricos fundamentais para compreensão da formação do português brasileiro (MATTOS SILVA, 2004). Na tentativa de colaborar no preenchimento dessas lacunas seculares, nesta plataforma, também, apresentaremos dados informacionais inéditos que caracterizarão, de forma ainda generalizada, as comunidades rurais afro-brasileiras situadas no Território de Irecê que até então inexistiam diante dos mecanismos de buscas on-line, dificultando o acesso e a visibilidade frente aos poderes públicos.

O Projeto tornar-se-á público e representado através da imagem da Barriguda (Ceiba glaziovii), árvore simbólica do Sertão baiano, conforme Figura 1.

Figura 1 – Logomarca do Projeto ELiHS: fases de constituição

 

 

 

 

 

 

Fonte: Elaborada pelo Projeto.

 

Segundo Lemes (2011, p. 3, grifo nosso) a Ceiba speciosa St. Hil., pertencente à família Malvaceae, mas conhecida como paineira-rosa, paineira, árvore-de-paina, barriguda, dentre outras denominações, “é uma espécie nativa em matas secas no Brasil Central, que apresenta rápido crescimento e floração espetacular. Seu tronco abaulado e com acúleos, é característica marcante da espécie que também se tornou bastante conhecida como barriguda”.  Sendo assim, “a barriguda é uma espécie típica da Caatinga [...]. Trata-se de uma árvore de grande porte, que pelo formato dilatado de seu tronco na base formando uma barriga, assemelha-se ao baobá. O caule, assim como nos cactos, armazena água, uma adaptação para a planta viver em ambientes com forte estresse hídrico, como a Caatinga [...]. As flores estão reunidas em inflorescências terminais e são branco-rosadas, possuindo numerosos e pronunciados estames [...]. É uma árvore majestosa [...]. (STEHMANN; FARIA; BRAGIONI, 2019, p. 32, grifo nosso).

A Barriguda é uma árvore representativa em toda a caatinga por sua força, imponência e resistência diante de longos períodos de seca. Sua “barriga” deposita uma quantidade razoável de água que garante sua sobrevivência em meio aos tempos difíceis de seca, permitindo o seu florescimento, que marca a força da resistência do sertanejo. Assim como a Barriguda, o Projeto ELiHS pretende resistir diante das dificuldades em se desenvolver pesquisa no Brasil, mas apresenta, ainda que timidamente, suas flores e seus avanços, abrindo campos promissores para desenvolvimento de pesquisas, com uma proposta norteadora de interiorização da descrição linguística. Sendo assim, as flores apresentadas na Figura 1 representam, ilustrativamente e progressivamente, o caminho a ser percorrido, bem como a abertura de possibilidades de estudo que favorecerão o avanço do Projeto em suas fases, quando se dará o preenchimento das flores em seus caules, representando a conclusão do objetivo central.